Contraste

Frederico Amitrano

Sina de Poeta

Tem poesia na moça da cidade e na moça da favela

Num clássico de Beethoven e num samba da Portela

No sangue que corre pelas veias dos valentes generais

E no sangue que escorre das tão cheias notícias de jornais

Tem poesia em uma criança que nasce e em seu comemorativo porre

Em uma pessoa que esvai-se e lentamente morre

No operário que luta pelo seu pão

No pobre salafrário que acaba na prisão

Nas águas que inundam o sul e se esquecem do sertão

Nos batuques, nas cachaças que rolam pelos botequins

Nos preconceitos sem graça dos cabelos pixains

É poeta quem aprecia e solta

Não fica mudo

Quem vê a poesia

Em todos e em tudo

 

Obra registrada na Biblioteca Nacional

 

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